
Evanescence
Evanescence
(EMI)
(EMI)
Parecia que não ia dar certo, mas
Amy Lee conseguiu. Das cinzas de uma banda praticamente acabada, a vocalista
remontou o Evanescence e conseguiu fazer um disco de
banda. Ou, por outra, de uma banda comandada por quem sabe exatamente aonde
quer chegar, com integrantes que sabem que têm um papel definido: cada um na
sua labuta. O resultado é um disco de rock redondo, que foge dos clichês que se
criaram nos subgêneros do heavy metal, desde que se descobriu que ter mulher
cantando é legal - e lá se vão vinte e tantos anos. Sim, “Evanescence” flerta
fortemente com o gothic metal (“Made Of Stone” que o diga), mas é,
essencialmente, um disco de rock.
Começa
com um single de rock – “What You Want” -, cuja introdução de bateria não
esconde o peso que se vê espalhado pelas 12 faixas. Amy Lee descobriu que o
mais importante numa banda não são as letras, mas o rock em si e as boas
composições. E o disco está cheio delas. “The Change”, por exemplo, não esconde
a tensão típica de outras fases do grupo, mas logo deságua para um refrão
impulsionado por um cantarolar marcante. Difícil não sair por aí assoviando a
melodia ou mandando um “embromation” qualquer. A vocalista não economizou no
drama que costuma impingir na música do Evanescence e foi muito feliz nos
arranjos vocais, que, em outras oportunidades, passavam do ponto. Acontece aqui
também, mas bem menos, talvez pela intromissão sadia do produtor Nick
Raskulinecz, experiente com grupos de rock.
O tempo
que ficou fora de cena (cinco anos sem gravar) seguramente ajudou a moça a
beber em outras fontes, como o pós punk dos anos 80, de onde saiu a boa “Erase
This”. Um belo trabalho de guitarras é trançado com um tecladinho colante,
antes de a música crescer no maior estilo grandiloquente de Amy Lee cantar;
quase que ela passa do ponto, mas quando a música volta do refrão, vê-se que
ficou bem arranjada. “Lost In Paradise”, em seguida, se anuncia como uma daquelas
baladaças chatas, no imite do cafona, mas, na meíuca, um elaborado trabalho de
guitarras mostra outra face, mais pop e convincente. Não salva a música, mas
ajuda no desafogo, em um arremate grandioso de Amy Lee, num de seus momentos
mais emocionantes nesse disco.
Escondida
no meio do CD, “Sick”, só pelo refrão, poderia ser o single principal no disco.
Música pesada que consegue ter veia pop na medida certa, seria um belo cartão
de visitas. Outra que traz o peso como característica principal é “Never Go
Back”, com uma introdução cheia de guitarras. A ponte para o refrão faz
qualquer sujeito bater cabeça sem perceber, até que a intermediação dos
teclados amenize as coisas, numa outra boa sacada da produção. A música, assim
como outras do disco, é cheia de barulhinhos ocultos, discretos até, que
contribuem para o bojo das canções.
A melhor
coisa do disco está numa regularidade quase plena, que inexiste nos álbuns
anteriores do grupo. Não há, aqui, aquela montanha russa de músicas tão
distintas que, por vezes, nem pareciam ser da mesma banda. “Evanescence” é um
disco de verdade, com faixas vizinhas e que dialogam entre si, mais um mérito –
repita-se - da coesão do grupo. Está longe de ser o disco do ano, mas é um
recomeço e tanto para um grupo que se viu à beira do abismo. Que seja, então,
bem-vindo de volta.
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